Outro dia fui a um lugar onde estava escrito o seguinte cartaz: Proibido entrar neste local com bermudas, bonés e chapéus. Como naquela hora eu não estava de boné, nem chapéu e usava uma calça, resolvi entrar. Comecei a escrever o rascunho deste texto (dentro de uma igreja, eu confesso) e um irmão me disse que eu não podia ficar ali, pois aquele corredor era exclusivo para mulheres. Assim, sentei do outro lado da igreja.

Nos dias de Jesus o Templo era um lugar tão sagrado que os fariseus não permitiam a entrada de gentios nem de mulheres. Jesus, sabendo disso pregava nos desertos, casas, colinas e praias, nos lugares aonde essas pessoas podiam vê-lo, ouvi-lo e estar com ele. Percebi que também temos nossos fariseus, com seus templos “puros” e livres de pessoas diferentes. Deviam escrever assim no cartaz:

Proibida a entrada de mentirosos, adúlteros e devedores. Nada de enfermos nem de incrédulos. Chega de pecadores dentro das nossas igrejas. O problema é saber como vamos apagar as luzes no fim dos cultos, pois ninguém mais poderá entrar. Esquecemos que não existe nem um justo, nem um sequer, e que somos justificados por Cristo.

Não sei quem mandou colocar o cartaz naquela porta, mas sei de alguém que não o colocou. Conheço alguém que ao invés de impor proibições e dificultar acessos, como faziam os fariseus, abriu um caminho, não para dentro de templos, mas para o céu, para a presença do próprio Deus. Ele ainda nos mandou chegar com confiança diante do trono da graça. Jesus levou um ladrão para o céu. Levou salvação para a casa de Zaqueu e escolheu um assassino chamado Saulo para evangelizar o mundo. O Senhor mostrou ao soldado que não é preciso uma lança para chegar ao seu coração. Ao soldado que lhe deu uma coroa de espinhos, Jesus ofereceu uma de glória.

Ainda bem que, quando aquela mulher pecadora lavou os pés de Jesus, eles não estavam numa igreja como a que eu estava, senão seria provável que Jesus fosse obrigado a ficar no púlpito, os homens (sem boné nem bermuda) de um lado, a mulher do outro e eu, bem, não sei se me deixariam entrar. O mais incrível é que Jesus amou os fariseus de seu tempo (e do nosso também). Amou tanto que morreu por eles. E Ele fez mais do que isso, além de amar os fariseus, Cristo nos amou. Sei que devemos obedecer às normas instituídas pelos homens e não estou defendendo a imoralidade nos cultos, mas lembre que existe um lugar onde a entrada é franca para aqueles que, como eu, nunca poderiam pagar o preço da salvação.