Com uma utilidade inquestionável, a internet rapidamente passou a fazer parte da vida das pessoas. Para muitos, essa frequência resultou no abuso, e do abuso para a dependência. Como toda dependência vem ferir a liberdade, geralmente o indivíduo começa a sofrer prejuízos na sua vida pessoal, social ou profissional pelo uso excessivo daquilo que se tornou seu objeto de desejo. No caso da internet, por não ser uma substância que entra no corpo, ela tem sido negligenciada como vício por muitos, principalmente por aqueles que já fazem uso excessivo dela; mas os seus efeitos são devastadores, tendo as pessoas noção disso ou não.

          Segundo a especialista Kimberly Young , o vício da internet é tão grave quanto a dependência de álcool e outras drogas ilícitas. Semelhantemente a um alcoólatra que precisa consumir maiores níveis de álcool para alcançar a satisfação, os viciados em internet precisam rotineiramente gastar uma maior quantidade de tempo online para se satisfazerem. E da mesma forma que um alcoólatra faz uso da substância para fugir da realidade ou superar a ansiedade, o viciado em internet tende a usá-la mais como fuga dos problemas da vida do que como ferramenta de trabalho. Outro fator interessante são os sinais da abstinência: quando o dependente químico procura ficar sem a substância de seu vício, é comum passar por estresse, ansiedade e até depressão. O viciado em internet tem os mesmo sintomas quando percebe não estar online e sem opção de conectividade.

          Pesquisas no Brasil tem mostrado que mais de 15% da população já apresenta diagnóstico de dependência tecnológica. Além disso, outros dados mostram que o brasileiro gasta mais horas nas redes sociais que a média de países mais informatizados como Estados Unidos e Inglaterra.

          É claro que os riscos de uso excessivo da internet não devem servir de base para declarar guerra contra a rede, mas serve como alerta para que aprendamos a lidar com a situação.

          É possível navegar sem naufragar.