Especialistas chamam as últimas gerações de “nativos digitais”. Pessoas que nasceram com os dois pés na era digital e levam a vida virtual tão a sério quanto a vida real. Essa turma acorda, vive e dorme conectados a tecnologia, principalmente aos seus smartphones. Estes celulares avançados em tecnologia, trouxeram como uma importante ferramenta as câmeras fotográficas embutidas, o que desencadeou na prática de tirar foto de tudo e todos. As imagens preferidas são as selfies (fotos de si mesmos), que geralmente são publicadas nas redes sociais onde os amigos e conhecidos podem curtir e comentar.

          Até aí tudo bem; o problema surge quando certas pessoas querem estar ativos na vida digital mas não lidam bem com a própria imagem. Alguns entram numa saga em busca da foto perfeita e desenvolvem uma obsessão desenfreada que apenas resulta em ansiedade e frustração. A isso chamamos de selficidio, transtornos psicológicos gerados pelo descontentamento com a imagem pessoal nas selfies. A principal patologia é o transtorno dismórfico corporal, manifestada por uma extrema preocupação com algum defeito real ou imaginário
no corpo.

          Muitas pessoas sofrem com isso sem nem perceber, gastam minutos e horas tirando centenas de fotos para achar a imagem perfeita. Em casos extremos, pessoas decidiram fazer plástica para corrigir falhas, que na maioria das vezes nem existem. Este é um assunto sério, pois geralmente o selficidio revela outros problemas como: baixo autoestima, dificuldade nos relacionamentos, depressão, ansiedade, transtorno narcisista, busca equivocada por aceitação, etc.

          Este transtorno afeta pessoas de todas as idades, mas as pesquisas revelam que o maior índice são em mulheres entre 12 e 20 anos. Especialistas afirmam que geralmente os selficidas se comparam com o padrão de beleza imposto pela mídia e almejam uma perfeição que jamais encontrarão. A superação para este mal está em
identificar o transtorno e reconhecer que somos todos diferentes, cada um tem sua beleza exclusiva e não precisamos cair na cilada da comparação.