Setembro foi um mês difícil para a família evangélica brasileira. Como se não bastassem as constantes ameaças que diariamente rondam nossa família, ainda tivemos que assistir o show de horrores promovido pela mostra “Queermuseu” do banco Santander. Não havíamos sequer entendido bem que aconteceu em Porto Alegre quando começamos a ser bombardeados de todos os lados com acusações de que estamos tentando promover uma tal “cura gay”. Isso por causa de uma liminar que derrubava uma resolução do conselho de do Conselho Federal de Psicologia e autorizava psicólogos a atenderem pessoas que estavam insatisfeitas com a sua orientação sexual e que desejavam acompanhamento profissional com vistas à reorientação. Depois tivemos o desprazer de acompanhar o lamentável episódio do Museu de Arte Moderna de São Paulo, onde numa performance crianças acabaram interagindo com um ator nu. Lembro que ainda estava me recuperando dessa ultima pancada quando recebi pelas redes sociais um artigo no qual um membro da “elite” deste país vociferava acusações rasas, típicas da revista que veiculou o malfadado texto, contra a comunidade evangélica brasileira.

Confesso que ainda estou tentando digerir tudo o que vi, li e ouvi. Ainda preciso considerar muitas coisas antes responder de forma mais direta às pessoas e instituições que protagonizaram todas essas investidas contra a família. No entanto, quero compartilhar algumas conclusões prévias que já estão bem sedimentadas em minha mente e coração. Não que essas conclusões tenham sido inauguradas diante dos últimos acontecimentos. Algumas delas vêm sendo alimentadas nos últimos anos de dedicação à causa do Reino de Deus e de interpretação de alguns movimentos ideológicos que tentam a todo curso ganhar espaço em nossa nação.

“É bom contar até três”

Somos tentados a responder de imediato aqueles que destilam seu veneno ideológico conta os valores judaico-cristãos. Porém, fazer isso pode nos levar a mergulhar em águas tão rasas quanto aquelas em que nadam aqueles que nos acusam. Confesso que quando li o texto veiculado pelo folhetim semanal senti uma tremenda vontade de pegar meu telefone, gravar alguns desaforos e veicular na internet para ver se alcançava o responsável pelo texto. Porém, lendo com mais tranquilidade percebi que não havia nada naquele texto que eu nunca tivesse ouvido quando era professor do Ensino Médio. Alguns dos meus ex-alunos de geografia nos cursos pré-vestibulares, ao saberem da minha fé, faziam os mesmos comentários tolos e generalistas. Isso me fez redirecionar o foco da minha
reflexão. Parei de pensar na incompetência de quem escreveu e comecei a pensar nas centenas de milhares de pessoas que leram aquele texto sem se aplicar ao exame critico do que estavam lendo.Comecei a lamentar o fato de tanta gente nesse país ainda reproduzir o discurso pronto e requentado dos grandes veículos de comunicação que, em se tratando dos evangélicos, não se dão mais ao trabalho de pensar antes de escrever, apenas reproduzem o ritual dos preguiçosos: copiar/colar.

“Diferentes campos de batalha”

As diversas “militâncias” estão vendo alguns dos seus sonhos ideológicos agonizarem diante da opção conservadora não apenas dos evangélicos, mas de mais uma série de segmentos da população. A derrocada de algumas das tentativas de se infiltrar de forma oficial na legislação educacional no Brasil tem obrigado alguns dos representantes do ideal “vermelho” a migrarem para outras frentes de batalha. Derrotados em Brasilia e na maior parte das câmaras de vereadores durante o processo de votação dos Planos Municipais de Educação, os militantes profissionais agora precisam encontrar outras formas de fazer barulho e ganhar audiência. E assim essa elite intelectual pelega vai seguir nos próximos anos: tentando instrumentalizar tudo o que tiver ao seu alcance para que
seu projeto de sociedade seja implementado sem esforço, debaixo das asas de um estado disposto a financiar devaneios em nome da tolerância e da diversidade, que por sinal só consegue ser tolerante com quem não é tão
diverso.

“Nossa resposta não é dada nas redes sociais, mas à mesa.”

Cuidado com a militância virtual na tentativa de resolver problemas que são reais. É inegável o papel das redes sociais na propagação da informação. No entanto, não podemos passar a maior parte do nosso tempo tentando “ocupar espaço” e “dar uma resposta”. Isso seria um tremenda perda de tempo. Não se trata de uma guerra por “curtidas” e “visualizações”, mas sim por mentes e corações. Nesse sentido, a melhor resposta que a igreja evangélica brasileira pode oferecer é investir na prática de estar à mesa como família. Os memoriais familiares
de celebração e comunhão têm o papel fundamental de aprofundar o significado que os papéis familiares possuem na vida dos membros da família. Nesses encontros os laços de confiança são fortalecidos e isso permite que os pais ministrem as verdades da Palavra de Deus ao coração dos seus filhos, criando proteções contra as investidas das trevas contra a próxima geração.

“Somos a bola da vez”

Já fomos eleitos os inimigos do progresso cultural dessa nação. Eu desconfiava disso, mas agora tenho certeza. Isso me faz lembrar que todo sistema tirano constrói a popularidade inicial da qual tanto precisa através da escolha de um “inimigo público número um” a ser combatido. Os evangélicos parecem encarnar a figura desse inimigo por serem, bem ou mal, os representantes do grande incômodo chamado “moralidade judaico/cristã”. O modelo de sociedade que estão pretendendo construir só é possível se a moral cristã for removida desse solo, ou então se for
enfraquecida a ponto de não afetar nem mesmo aqueles que com ela se identificam.

“Em resumo”

Pelo que tudo indica a família ainda continuará sendo o alvo principal dos ataques ideológicos em nosso país. Por isso, erguer muros afetivos, conceituais e espirituais em torno de nossa família é fundamental. Devemos ainda entender que estamos engatinhando no que se refere ao diálogo com a cultura. E isso significa que muitas vezes somos mal entendidos porque nos expressamos de forma equivocada. Por isso, se for preciso, explique a sua opinião duas vezes, ou mais. Precisamos tomar cuidado com o oportunismo eleitoreiro que tão sorrateiramente se aproxima de nossas comunidades. Lembre-se que o seu candidato não fará nada que não esteja alinhado com as proposta do partido dele, por isso, faça uma escolha mais consciente. O amor deve ser a bandeira que vai adiante de nós. Qualquer resposta, ensaiada ou não, deve ser fundamentada no amor, e não apenas no estado  democrático de direito.